segunda-feira, janeiro 09, 2006

VOTO NULO

Considerações sobre o Voto Nulo
por Ipojuca Pontes em 09 de janeiro de 2006

A discussão sobre o voto nulo está na ordem do dia. Grande parte do eleitorado começa a considerá-lo uma alternativa válida para as próximas eleições, tanto no que diz respeito ao pleito majoritário (presidente, governador e senador), quanto ao pleito proporcional (deputado federal e estadual). Se o movimento não arrefecer, o cidadão brasileiro terá uma oportunidade única para aperfeiçoar as regras do jogo, ao exercer o legítimo direito de acionar o voto nulo.

Antes de tudo, diga-se que o voto nulo não é um ato contra a democracia. Pelo contrário: anular o voto, para além de significar vigoroso protesto contra os partidos e os políticos indesejáveis, que transformaram as eleições num jogo viciado, se afirma como uma recusa plena de múltiplas intenções e que atende às exigências das mais diversas camadas do eleitorado consciente.

Para os conservadores e liberais, por exemplo, o voto nulo pode significar a recusa ao pensamento único que se instalou na vida política brasileira, onde vige a predominância exclusiva da ideologia esquerdista, afeita ao mais desabrido culto do intervencionismo estatal como forma de atender ao que se convencionou chamar de “demandas públicas”, o apanágio malandro de políticos como José Serra, Lula, Alckmim, FHC, Heloísa Helena, César Maia, Garotinho e o atrevido Ciro Gomes, uns e outros socialistas “utópicos” ou “científicos”.

De fato, neste sentido, o voto nulo pode ser entendido como o repúdio possível ao pensamento político que leva ao fortalecimento do Estado e sua corrosiva presença, consubstanciado num sem-número de ministérios e empresas públicas, o que significa dizer, mais subsídios, impostos, empreguismo, mordomias, privilégios, corrupção, roubos, aumentos das tarifas públicas acima da inflação, isonomias salariais (pelo alto) para políticos e burocratas de todos os governos – de custo muito pesado que molestarão, inevitavelmente, o bolso do cidadão que está fora da dança.

Por outro lado, para os amantes da democracia representativa, o exercício do voto nulo pode abrir os caminhos, mais tarde, para a extinção do voto obrigatório, uma perversão autoritária inexistente nos países civilizados e que obriga o cidadão-contribuinte a fazer o que não deseja: votar, por força de lei, em políticos manhosos, hipócritas e desclassificados.

Ademais, com a prática do voto nulo, em determinados momentos a mais eficiente arma que se dispõe na democracia brasileira, o eleitor, por meio de campanhas e mobilização geral, poderá exigir que o exercício do mandato representativo, majoritário ou proporcional, venha a se tornar um “ato voluntário”, como ocorre em países como Suíça e alguns estados dos EUA, o que significa dizer que o político idealista e generoso, empenhado em nos salvar, não arrastará mais um só centavo da nossa exaurida carteira: ele será um “voluntário”.

O mais positivo na prática do voto nulo é, sem sombra de dúvida, a possibilidade do eleitor “interagir” no processo eleitoral, a partir da regra estabelecida de que, no segundo turno, se nenhum candidato conseguir a maioria (mais de 50% dos votos), a eleição está obrigatoriamente cancelada e um novo pleito será realizado. Melhor ainda: é automático o afastamento dos candidatos, pois eles não poderão mais concorrer à eleição e serão substituídos por novos nomes (não se trata aqui de devaneio: nas últimas eleições, conforme rezou a lei, 28 municípios do País tiveram suas eleições anuladas pelo imperativo do voto nulo).

Os formadores de opinião “politicamente corretos”, comprometidos com a supremacia do pensamento único acham que o voto nulo, além de inútil, pode representar um efeito adverso ao pretendido. Eles acreditam que só pelo exercício do “voto útil”, pode-se melhorar a “qualidade da nossa vida político-partidária” (editorial de “O Globo”, em 03/01/2006). Trata-se de uma projeção panglossiana, para não dizer idiota, que não bate com a realidade. Pelo contrário. Com o desaparecimento do contraditório, e de políticos do porte de um Afonso Arinos, por exemplo, a cada eleição a representatividade política do País só faz piorar. E não poderia ser de outro modo, pois a essência da atividade política no Brasil e na América Latina tem sido o exclusivo cultivo, pelos partidos ditos “progressistas”, do populismo e da demagogia – refinada ou grosseira – como forma de se chegar ao poder.

Assim, mais do que um protesto, o voto nulo, na atual fase da vida brasileira, é uma necessidade. Como já foi dito, ele é importante porque pode se tornar um instrumento de combate na luta pelo aperfeiçoamento da democracia. Mais do que um veio de insatisfação, o voto nulo é uma forma automática de cancelar eleições e expelir do processo candidaturas nefastas – o que representa um avanço político admirável.

Ao que se informa, o grande obstáculo para que o voto nulo torne-se uma prática corrente é a sua difícil ou ainda não esclarecida operacionalidade. Nas instruções de votação e uso da urna eletrônica, não se toca no assunto, nem se explica como anular o voto. Seria de propósito? Claro que sim! Para confundir o eleitor, a urna eletrônica acionada indica que o presumível voto (nulo) é “errado”, surgindo na tela o pedido para que o eleitor corrija a digitação. Trata-se, até prova em contrário, de um engodo programado.

Para acionar o voto nulo basta o cidadão digitar um número que não pertença a nenhum candidato. E depois, mesmo com o aparecimento do aviso “errado”, é só apertar a tecla verde para confirmar o voto nulo. Com o gesto, o eleitor acaba por mandar Lula e espécimes congêneres para o olho da rua.

Tem voto mais útil?

21 Comments:

Anonymous Abreu said...

Bloody,

Digo aqui, o que escrevi ao Amigo Peninha, lá do Marvada:

Não acredito em nenhuma solução alcançada por conduta negativa — nodatamente se incitada. Jamais ajo assim, e fico com má impressão de quem queira me convencer do contrário, porque vislumbro algum interesse por detrás do discurso.

Para o articulista não há rigorosamente nenhum bom nome na cena política. Ora! Então aonde é que estará escondido o messias? Sim, porque como o texto nos é apresentado, esse nome não existe. Se é assim, aonde se esconde a virtude do voto nulo?

Eu também preferiria que nada fosse obrigatório — nem mesmo votar. Mas a questão de agora não é discutir a obrigatoriedade, mas sim a utilidade do voto nulo.

Só para protesto? Eu prefiro agir de modo diferente. Mesmo que me custe trabalho adicional, eu prefiro vigiar o mandatário, avaliá-lo e, se for o caso, demití-lo.

Nenhum empresária acredita 100% em 100% do tempo em 100% dos seus empregados. Todavia, o empresário não pode fazer tudo (ou nada) sozinho. Então, ao confiar desconfiando, ele fiscaliza seus empregados — e todos os políticos são nossos empregados.

Ao meu ver, o problema é que entre nós (de todos os níveis sócio-econômico-culturais), deixamos as autoridades pensando que podem tudo e nos esquecemos de que eles só podem op que desejarmos.

Eu controlo os meus negócios e fiscalizo meus colaboradores. Por isso, mesmo reconhecendo as dificuldades no plano estatal, não consigo aceitar que nenhuma atitude negativa vá nos trazer a solução para coisa alguma.

Não demonizo o voto nulo — desde que decisão íntima, pessoal e muito consciente de cada eleitor, mas o REPUDIO enquanto estiver sendo tratado como campanha, pois estou certo de que isto não dará certo... ou alguém, dentre nós, não conhece o Brasil?

Dessa vez eu discordo FEIO do Ipojuca, e digo o seguinte: DIGA NÃO AO VOTO NULO e evite que uma nulidade se eternize no poder!

Saudações,

2:41 AM  
Blogger Nat said...

Querida Bloody,

Em nosso país, voto nulo não é uma opção, pois este tipo de protesto acaba por beneficiar quem está hoje no poder (aghhhh!!!!)

Aproveito o espaço para avisar aos amigos que finalmente tomei coragem de publicar alguma coisinha no blog-solo que criei (http://daindignacaoacao.blogspot.com/), fruto da eterna curiosidade em aprender como "pilotar" as ferramentas disponíveis na net.

Grande abraço!

9:01 PM  
Blogger Santa said...

Na última eleição, confesso: votei nulo. Em tese me isentaria hoje de não avaliar quem está no poder. Pessoalmente carrego o mesmo fardo tal qual os que votaram.Isso não acontece e mais do que nunca quero votar em alguém que eu possa legitimamente cobrar.

Bjs

10:56 PM  
Anonymous Saramar said...

Bloody, boa tarde
Finalmente voltou.
Sou radicalmente contra o voto nulo. Nunca tive coragem de anular meu voto.
Concordo com a Nat. o voto nulo, hoje, beneficiaria o presidente esfaqueado. Credo.

Beijos

2:17 PM  
Anonymous N. Cotrim said...

Concordo plenamente com a amiga Saramar. Aguardo um avisita sua. Abraços!

3:36 PM  
Anonymous Marjorie said...

Bloody querida, que bom que voltou aos bons! Não concordo com o voto nulo, seria na verdade, um alívio para nós mesmos, individualmente. Acho que esse não é o caminho... não me pergunte qual o outro. Simplesmente se o horroroso/analfa/ignorante/etílico for reeleito é IMPICHA-LO imediatamente.

3:38 PM  
Blogger Serjão said...

Estou postando algo sobre isso, Deve estar pronto no final da noite

7:54 PM  
Blogger S0MBR4 said...

OPA!
Então os candidatos que concorrem são impedidos de participar no novo pleito???

Tudo que eu precisa ouvir!
Dependendo da conjuntura, o voto nulo ganhou mais um adepto!

11:23 PM  
Blogger S0MBR4 said...

Cobrar e fiscalizar o executivo, votando ou não votando é legítimo: o poder é sustentado por nossos impostos e independente de qq participação direta ou passiva no processo eleitoral, devemos exigir a moralidade pública e o racionalismo nas ações...

11:25 PM  
Anonymous Vermão said...

Prepare-se:

Se você achou muito chocante os outros 4 blogs (e o dossiê fica cada vez mais estarrecedor) então é melhor tomar fôlego. Traduzida diretamente da língua alemã, a primeira entrevista que abalou o mundo em 1980. É uma viagem ao submundo da loucura tomada numa decisão consciente.

Você pode se sentir chocada (e vai mesmo) e principalmente ultrajada com os conceitos de CERTO ou ERRADO emitidos ao longo da conversa. Mas essa é a desconcertante VERDADE das ruas, explicada detalhadamente por quem conhece a realidade do fundo do poço da existência humana.

Crime, traição, morte, dor, humilhação, desespero e fuga da realidade. A entrevistada (des)aparece com o rosto escondido na sombra.

Milagre: essa foi a única vez na História que uma revista masculina esgotou nas bancas por causa das palavras de uma garota.

Essa Christiane F é mágica. Ou uma santa.

http://christianef5.blig.ig.com.br/

ESTRÉIA AGORA.

12:22 AM  
Anonymous Anônimo said...

oi mary
estou tentando me cadastrar mas recusam a senha...não sei o que pode estar havendo...
passa no meu blog
http://beth7kabrasil.blogspot.com/
meu nome é gracias a la vida- nick
PARABÉNS PELA TUA LUTA
SIM, O VOTO NULO PODE REPRESENTAR UM GRITO IMPORTANTE DE REPÚDIO

1:54 AM  
Anonymous Marjorie said...

Cadê você, Bloody?

4:33 PM  
Anonymous Anônimo said...

Bola fora do Ipojuca Pontes...
Acho que não devemos fazer apologia ao voto nulo, afinal, a atitude negativa não é de bom alvitre para o Brasil.
Votar nulo é reelejer o Lula. Quanto a isso não parece haver dúvidas...
Abs, Carlos
www.euodeiolula.blig.ig.com.br

7:42 PM  
Anonymous pepe legal said...

Triste .. no blog do Noblat :

“ Eu sempre me gabava feliz que nunca tinha sido "guilhotinado" e que se isto sucedesse, teria um caráter irremissível.

Outro dia, eu desejoso de mudar de nick, habilitei este aqui.

Agora, minha conta original foi encerrada.

Deste modo, queria agradecer muito ao Noblat, pelos momentos agradáveis que me proporcionou e pelas pessoas amáveis que aqui conheci.

Obrigado também pelo cd, meu caro jornalista.
O teu espaço é fundamental para a informação das pessoas.

Parabéns mesmo e torço para que tenhas cada vez mais sucesso!

E cabe a mim, neste momento cumprir o que prometi.

Desejo, e espero que este meu comentário não seja subtraído, que Deus abençoe a cada um de vocês aqui, independente de cor partidária.
Muito bom tê-los conhecido.

O IMPONDERÁVEL MORREU PARA SEMPRE AQUI ! … “

1:28 PM  
Blogger Moderado, o idiota said...

Boa noite!

Estou voltando aos poucos. Prometo que em breve volto a visitar o espaço com freqüência e sem usar o copy/paste para dar notícias.

Abraços,

12:22 AM  
Blogger Maria Oliveira said...

Bloody,
Estou com minha casa arrumada!!!! Faça uma visita e verá!!!!:)))))

12:47 PM  
Anonymous Saramar said...

Bloody Mary, por onde anda? Está tão sumida!
Sabe como é importante para nós. Volte logo

Beijos

1:53 PM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Respondendo a pergunta final do artigo: NÃO !

O voto nulo de mais de 50% dos eleitores aniquila as pretensões dos atuais candidatos, pois significa dizer que o povo, em sua maioria, não quer nenhum deles como governante.
É uma excelente opção sobretudo para o INDECISO, que à última hora tende a votar em alguém que não conhece e/ou não acredita.

Muito bom o artigo do Ipojuca. Parabéns, Bloody !

8:25 PM  
Blogger Rubens said...

Parabéns por ter postado isso.

O voto nulo nao é somente mais uma opçao - é a única!

Mesmo que alguém com muita boa vontade tente perturbar a vida dos políticos e exigir o fim dessa mediocridade, eles nao farao nada. Porém, com uma demonstracao nas urnas de nossa insatisfacao, eles vao perder toda a credibilidade, e a opiniao pública os terá nas maos.

Digo mais: até os militares apoiariam a tal "faxina" caso o povo demonstrasse claramente que é a sua vontade. Se nao nos mexermos e tolerarmos tamanha impunidade, tamanha molecagem no país, em breve teremos uma desagradável surpresa. Os nossos amigos fardados nao devem estar nada felizes com o "carnaval" que o Brasil se tornou. Eu sinto até arrepios em pensar no que aconteceria se os militares resolvessem dizer "basta" antes de nós!

O voto nulo é a chance da virada que sempre esperamos. Quem acha que um dos candidatos escolhidos a dedo pelos partidos políticos (vulgo máfias) vai mudar alguma coisa, que continue pensando assim, pois é o direito que você tem na nossa democracia. Porém aqueles que nao admitem mais ser ridicularizados pela classe política nao vao reconhecer outra opçao a nao ser rejeitá-los e removê-los.

8:06 AM  
Anonymous Emanuel said...

Se HOJE fosse feito um PLEBISCITO,
Para uma NOVA LEI DO ABATE, para ABATER POLÍTICOS CORRUPTOS,
Adivinhem qual seria o resultado.
Pois bem, é esse o nosso “MOMENTO POLÍTICO”.

Se assim fosse, por ex., ÊLES seriam ABATIDOS em estádios com capacidade para mais de 100 000 pessoas ,
E ao contrário da CHINA, seriam cobrados INGRESSOS, e esta RENDA retornaria para os COFRES PÚBLICOS, assim pelo menos alguma coisa que o CORRUPTO ROUBOU, seria RECUPERADA, e sua MORTE NÂO SERIA em VÃO.
Além da renda dos INGRESSOS, haveria uma FOMENTAÇÃO do TURISMO, Gerando DIVISAS para a NAÇÃO.
Seriam ABATIDOS, por ex. um POLÍTICO CORRUPTO por semana, garantindo assim, ESPETÁCULOS por MUITOS ANOS, GERANDO
EMPREGOS DIRETOS e INDIRETOS.

Estamos vivendo numa CARICATURA DEMOCRÁTICA, A classe política está DESMORALIZADA, o povo está sem ESPERANÇA, e VOCÊ
CIDADÃO, votando no MENOS PIOR, não vai reverter este QUADRO, e vamos continuar no mesmo CÍRCULO-VICIOSO, e os pouquíssimos POLÍTICOS que estão cheios de “BOAS INTENÇÕES”, não Conseguirão DEMOLIR esta REDE de CORRUPÇÃO, pois NÃO se ILUDA, ÊLES SERIAM MINORIA.
O MOVIMENTO do VOTO NULO, é uma MANIFESTAÇÃO de PARTICIPAÇÃO POLÍTICA LEGÍTIMA e DEMOCRÁTICA.

11:55 PM  
Anonymous Anônimo said...

Keep up the good work »

9:11 PM  

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